19 de janeiro de 2012

O amor acaba?

Eu sou aquele tipo de pessoa que não desama nenhuma das pessoas que amou. O amor acaba? Marcelo Rubens Paiva escreveu um livro todinho para tentar chegar nessa resposta. Foram 191 páginas por causa de uma única pergunta: Ele acaba?
"- Depende, o que você acha?
- Ah, não sei. Sou muito novinha"

Meu amor está em frente ao meu portão me beijando pela primeira vez. Está naqueles dois bancos de cinema, naquela lanchonete com comida diferente, no sabor de sorvete que ele prefere, no filme que ele adora e até mesmo naquele que a gente perdeu. O meu amor está acenando no final da rua, está no abraço, na mão na cintura, nos e-mails no meio do trabalho, nos torpedos no meio do nada ou no meio de tudo. Está nos domingos, nas segundas pela manhã e em qualquer outro encontro no meio da semana. O amor está nos suspiros que dou de vez em quando e no jeito que olho para os casais. Está nas coisas que leio, nos filmes que escolho, nas músicas que guardo e nas frases que anoto. Ele está naquilo que acredito e no que deixei de acreditar. Confessando uma verdade, o amor está no meu jeito de amar. Está nas minhas cartas na gaveta, nos meus papéis em cima da mesa e por onde eu tenho andado. Já o meu amor está no passado. Ele acaba?
"-Ele está lá ou não. Ou vai ou volta.
Peraí, você conhece as mulheres? Já ouviu falar delas?"

O amor marca. O coração nunca mais será novo em folha e os lugares que a gente visitou nunca serão apenas lugares visitados. Aquele sabor de sorvete nunca será só mais um sabor de sorvete porque um dia já foi o mais especial. O amor é egoísta. Ele nunca deixa as coisas serem apenas "coisas" ou aquele banco ser apenas mais um banco vazio dentre tantos bancos existentes no mundo. O amor, quando é amor, é inesquecível. Ele vai embora, e mesmo partindo - e na maioria das vezes também te partindo - volta. O amor acaba?

"O amor não acaba. Deixa rastro.
O amor volta em lembranças"

Eu sou aquele tipo de pessoa que não desama nenhuma das pessoas que amou. Hoje mesmo lembrei que o amor já esteve em frente ao meu portão me beijando pela primeira vez quando saí para comprar um sorvete e alugar um filme que perdi há quatro anos atrás. Se o amor acaba..? No meu peito não.

"Tem o amor e o nada. Mas o nada também é amor.
O amor não acaba. Vira. Só tenho uma certeza.
Se acabar, não era amor.
"

2 comentários:

Jéssica Costa disse...

Um assunto que mexe muito com a nossa cabeça e com o nosso coração esse... Mas sou a prova viva de que esse tal de amor realmente deixa rastro e volta em forma de lembrança. Lindo texto!

Luciana disse...

"Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima."

Paulo Leminski, o poeta que mudou minha vida, como o Vinicius mudou a tua! ;o)