29 de outubro de 2009

Meu caderno infantil

tenho um caderno de frases, cheeinho de frases.
Ele é simples, um caderno escolar antigo com desenhos infantis na capa que ficava guardado no armário sem nenhuma utilidade. Eu tentei inventar tantas coisas pra ele que eu acabei arrancando muitas páginas, era assim, eu inventava uma nova utilidade e arrancava tudo o que tinha feito. Tentei caderno de anotações, de lembretes e de várias outras coisas das quais não lembro, mas nenhuma durou.

Um dia, eu resolvi juntar todas as frases que eu gostava nele. Sempre fui de anotar frases que via por aí, eram milhares de pedaços de papel na última gaveta, tudo porque eu gostava de poesia, ou melhor, eu gostava mesmo era da sabedoria, da coisa linda e profunda.
Tinha 16 anos e o meu caderninho escolar antigo dura até hoje, nunca mais inventei outra utilidade pra ele. Ele fica do lado do meu computador cheio de coisas profundas e sábias que eu quero levar pra minha vida toda.

A verdade é que ele é feito de palavras e frases onde eu já me encontrei, de experiências pessoais de outras pessoas na qual eu me identifiquei, de coisas que eu já quis ouvir mais ninguém me disse. É como se ele fosse um pedaço de mim feito pelos outros.

Um pedaço que eu inventei várias outras coisas para preencher ou dar alguma utilidade, que demorou para encontrar algo que o fizesse durar, que teve muitas páginas arrancadas antes de guardar tudo o que eu sempre achei bonito, que por fora é até um pouco infantil, mas por dentro é cheio de coisas simples, sábias e maduras.

É o meu caderno, e ele sou eu ...

2 comentários:

Felipe Braga disse...

Que doce!
Uma sensibilidade encantadora, de menina mulher.

Afinal, ninugém é tão adulto pra deixar de querer aprender, como as crianças.

Adorei.

Beijos.

Marina Maciel disse...

Você viu que os meus estão guardados à vista também, apesar de usá-los tão pouco.

A cada ano entra pelo menos mais um para a coleção de textos incansáveis. Por serem vivências minhas, lições aprendidas não são facilmente esquecidas; viver para o sofrimento é estupidez.

Você me inspira.

http://undarum.blogspot.com/2009/10/durma-bella.html